O sistema de freio automotivo é um dos itens que mais afetam a segurança ao dirigir um veículo — junto com a suspensão e a direção. Por isso, conhecê-lo bem e entender o seu funcionamento são quesitos essenciais para manter o carro sempre em ordem e não correr riscos.
O que é e qual a função do sistema de freio em um veículo?
O sistema de freio automotivo é composto por uma série de componentes que trabalham em conjunto para desacelerar e parar um veículo por completo. Além disso, ele também é responsável por manter o carro parado quando estacionado. Exceto em automóveis adaptados para pessoas com deficiência, esse sistema basicamente apresenta dois modos de acionamento manual: pedal e alavanca.
Alguns modelos mais modernos de carros contam também com um acionamento imediato que, utilizando uma série de sensores para detectar possíveis colisões e motores hidráulicos, freia automaticamente o automóvel sempre que um sinal de perigo for constatado.
Em veículos leves, o sistema de freio se divide em dois tipos: a disco ou tambor, ambos hidráulicos. Já nos automóveis pesados, como ônibus e caminhões, são encontrados também os freios a ar — também conhecidos como pneumáticos.
Como funciona esse sistema?
Para compreender melhor o princípio básico de funcionamento do sistema, vamos usar o exemplo de um veículo padrão, com freio a disco na dianteira e a tambor na traseira — modelo encontrado na maioria dos veículos comercializados no Brasil.
Ao pressionar o pedal, o movimento é transferido ao servo freio por meio de uma alavanca ou acionador eletrônico. Ele, então, amplifica e entrega a força gerada ao cilindro mestre. Uma vez que isso acontece, o fluido hidráulico é empurrado e conduzido aos demais componentes pela tubulação do sistema. Depois da etapa do cilindro mestre, o freio funciona de duas formas diferentes, dependendo do modelo.
Freio a tambor
O fluido hidráulico comprimido pelo cilindro mestre é enviado ao cilindro de roda. Então, ele aciona um par de pistões conectados às sapatas de freio — em que as lonas estão instaladas —, que, por sua vez, são forçadas contra a parede interna do tambor, fazendo com a velocidade das rodas seja diminuída.
Ao soltar o pedal de freio, um sistema de molas força os pistões e sapatas a voltarem as suas posições de origem, liberando as rodas para girarem normalmente.
Freio a disco
No sistema de freio a disco, o fluido hidráulico é enviado ao pistão (ou pistões) da pinça. Eles forçam as pastilhas contra o disco, gerando muito atrito — necessário para reduzir a velocidade das rodas. Em cada pinça são encontradas duas pastilhas, posicionadas uma em cada lado do disco e alinhadas entre si.
Quando o pedal do freio é liberado, o fluido deixa de exercer força nos pistões da pinça, e as pastilhas são afastadas do disco.
Freio de mão
Por ser um dispositivo de segurança, ele tem que funcionar de forma independente em relação ao sistema hidráulico de frenagem. Quando a alavanca de freio de mão é puxada, ela aciona um cabo de aço conectado às sapatas, que, por sua vez, são movimentadas e pressionam as lonas contra a parede do tambor — mesmo que o pedal não tenha sido acionado.
Quando a alavanca do freio de mão é movimentada para baixo, o cabo de aço é liberado, as sapatas deixam de ser forçadas contra o tambor e as rodas ficam livres para girar.
A seguir, listamos alguns sinais que você precisa estar sempre atento. Confira!
- Carro desviando para um lado durante a frenagem: Quando você pisa no pedal, o carro tende a virar para um dos lados? Pode significar que o sistema de freio tenha alguns problemas. Isso pode acontecer, por exemplo, quando os êmbolos da pinça estão prendendo — seja por oxidação ou defeito. Essa falha causa o desgaste prematuro das pastilhas, fazendo com que as rodas recebam forças de frenagens diferentes. Mangueiras entupidas e discos de freio empenados também podem causar esse problema, mas, normalmente, vêm associados a outros sintomas, como vibrações e alterações no pedal. Se o carro desvia para os lados durante a condução, componentes da suspensão, direção, rodas e pneus também devem ser verificados.
- Ruídos agudos: Ruídos não são um indicativo muito bom, mas nem sempre estão associados a uma falha. Especialmente quando as pastilhas ou lonas são trocadas, é normal que façam barulho por um tempo até que estejam totalmente assentadas — ainda mais no caso de alguns tipos de materiais específicos. Porém, se o barulho persistir ou aparecer após muito tempo de uso do veículo, é preciso verificar se as pastilhas ou lonas foram instaladas incorretamente ou estão gastas. Vale lembrar que se não for verificado esse problema, quando gerado pelo contato constante das pastilhas no disco, ele pode ocasionar o desgaste prematuro dos componentes ou o superaquecimento do sistema, a depender da pressão exercida.
- Vibrações no pedal: Em carros que têm ABS, é normal que, em frenagens mais bruscas, o pedal de freio vibre um pouco. Porém, se a vibração durante a frenagem se estende ao volante, pode haver algum problema. O empenamento do disco ou a deformação no tambor são alguns dos defeitos que causam esse sintoma. Cubo de roda empenado também pode gerar o mesmo sinal. Tome cuidado com diagnósticos incorretos! Se o volante trepida mesmo sem o acionamento do freio, é provável que existam falhas em outros componentes — como rodas desbalanceadas ou folgas no sistema de direção. Confira com seu mecânico de confiança!
- Pedal muito duro: Quando você pressiona o pedal do freio e percebe que ele está muito duro, é sinal de que algum componente não está operando de forma correta no sistema. Na maioria dos casos, isso acontece quando a assistência (hidrovácuo) — que tem a função de deixar o pedal mais leve — não funciona perfeitamente. Na prática, essa não é uma falha que afeta a capacidade de frenagem do carro, mas gera um certo desconforto na hora de frear, devido ao esforço necessário para executar a ação. O pedal duro pode estar associado às seguintes situações:
- servo freio com problema;
- material de atrito de origem duvidosa;
- problemas entre o pedal e o servo freio.
Como fazer a manutenção do sistema de freio?
Se você notar qualquer sinal de problema no freio, não deixe de procurar um especialista. Apesar de parecer simples, existem muitos detalhes — como tirar o ar do sistema após a troca de componentes — que não podem ser ignorados, e somente um profissional qualificado terá condições de fazer a manutenção correta, assim como os ajustes necessários para obter máximo desempenho.
Uma boa dica é sempre prestar atenção ao nível do fluido e altura do pedal: nível baixando e pedal desconfortável são sinais de que algo está errado. Porém, a melhor forma de garantir que o veículo sempre estará em ordem é não esperar um problema acontecer para fazer a revisão do carro.
Faça a manutenção preventiva do veículo! Ela possibilita antecipar problemas e evitar que pequenas falhas se tornem uma tremenda dor de cabeça. Nesse tipo de manutenção, são verificados sinais de desgaste em várias partes do automóvel. Tenha em mente que corrigi-los antes que afetem outras peças é muito importante e poupa muito dinheiro. Afinal, os componentes de um carro têm vida útil e trabalham em conjunto.
Um exemplo de componente que afeta muito o desempenho dos freios é o amortecedor. Quando desgastados, eles aumentam a distância de frenagem do veículo. Isso acontece porque o contato dos pneus com o solo não é o ideal e, por mais que a roda seja bloqueada, o carro não vai parar rapidamente.
Agora que você já conhece tudo sobre o sistema de freio automotivo e entendeu por que mantê-lo em ordem é tão importante, não se esqueça de fazer a manutenção preventiva no seu carro. Procure profissionais especializados e utilize sempre peças de boa procedência. Isso certamente contribuirá para o conforto e segurança na hora de dirigir!
Fonte: https://blog.nakata.com.br/sistema-de-freio-tudo-o-que-voce-precisa-saber-para-nao-correr-perigo/