A troca de marcha pode ser um pesadelo para quem está tirando a habilitação ou até mesmo para quem já possuí anos de prática.
E de fato, essa é uma das coisas mais complicadas de “pegar o jeito” quando estamos aprendendo a pilotar ou quando estamos dirigindo um veículo diferente daquele que estamos acostumados.
A troca de marcha requer muita atenção e pensamento rápido para entender o que o veículo está “pedindo” e qual é a marcha correta para cada situação.
Por isso, trouxemos algumas dicas para que você consiga fazer a troca correta de maneira correta. Mas antes, vamos entender para que servem as marchas do veículo.
Para que servem as marchas?
As marchas são responsáveis por transmitir às rodas a quantidade de giros certos, pois, para cada grupo de velocidades, existe uma marcha correspondente.
Cada vez que colocamos um veículo em movimento e aceleramos para ele ir mais rápido, o motor envia um comando e força para as rodas. Ou seja, quando você anda devagar, você deve usar as marchas mais baixas. Quando você quiser aumentar a velocidade, você deve ir mudando para as machas mais altas.
No carro, é o sistema de embreagem que permite a troca de marchas, ou seja, que o motor se comunica com as rodas transmitindo a força e o giro ideal de acordo com a velocidade.
Portanto, é importante conhecer as marchas e as velocidades indicadas para cada uma delas.
Nos carros de motor 1.0, é possível encontrar a recomendação do fabricante para as velocidades ideais de acordo com cada tipo de marcha. Entretanto, no geral, a relação entre marcha e velocidade é a seguinte.
1ª marcha: só para sair com o carro até 20km/h
2ª marcha: de mais de 20km/h a 40km/h
3ª marcha: de mais de 40km/h a 60km/h
4ª marcha: de mais de 60km/h até 75km/h
5ª marcha: mais de 75km/h
Machas baixas e altas
Cada marcha tem um grupo de velocidades ideal para dirigir sem que o motor seja exigido desnecessariamente. Conhecer as velocidades adequadas faz com que o carro rode de maneira mais econômica e segura.
Por exemplo, se você acelerar até chegar ao limite de uma marcha qualquer e não trocar para a marcha seguinte, o motor do carro vai pedir mais giro e vai “berrar”.
Sim, o seu motor irá fazer um barulho diferente como se estivesse pedindo “socorro”. Fique atento aos sinais que o veículo dá, isso garante que você realize a t roca de marcha de maneira correta.
Isso vale tanto para aumentar ou diminuir a marcha. Portanto, se você está rodando com a 4ª marcha engatada, o grupo de velocidade ideal é de 60 a 75km/h.
Porém, você desacelerou e no velocímetro marca 30km/h. Você vai notar que veículo irá ficar pesado, não vai evoluir, você vai cansar de pisar no acelerador e só vai mandar mais gasolina para o sistema e ainda corre o risco do carro morrer no meio da via.
O ideal nesse momento é conferir em que marcha o carro está e qual a velocidade correspondente a essa marcha.
Portanto, vale a pena memorizar a seguinte regra:
Marchas baixas (1ª,2ª e 3ª) = carro mais pesado, com velocidade menor e mais fácil de controlar.
Marchas altas (4ª e 5ª) = carro mais leve, pedindo mais velocidade e mais difícil de controlar, principalmente em curvas.
Características de cada marcha
Marcha a ré: é a marcha mais forte do carro, mas só pode ser usada para manobras mais curtas, manobras em estacionamento ou em linha reta de curto percurso.
1ª marcha: usada somente para sair com o carro até 20km/h.
2ª marcha: usada nas subidas de morros, ladeiras e aclives sem pavimentação (de barro, macadame, com pedriscos). Para velocidades de 20 a 40km/h. Marcha para ser usada em tráfego lento, engarrafamentos, quando a fila começa a andar bem devagarinho.
3ª marcha: também usada em baixas velocidades, geralmente para subir morros, ladeiras e aclives pavimentados (asfalto, paralelepípedo, bloquetes, etc…) de 40 a 50km/h. Ao andar com velocidades maiores, o carro fica mais pesado, exige que pise mais forte no pedal de aceleração e gasta mais combustível.
4ª marcha: o carro fica leve e difícil de fazer manobras rápidas. Marcha leve, ideal para rodar nas cidades porque não deixa o carro gastão, a direção fica leve e controla-se melhor o carro.
5ª marcha: é uma marcha leve, o carro pede mais velocidade e não permite certas manobras. Usada em rodovias, quando a velocidade é constante e os carros não estão muito próximos um do outro.
Dicas para saber se a troca de marcha foi correta
É normal algumas vezes bater o nervosismo e dar um branco para lembrar qual a faixa ideal de velocidades para cada tipo de marcha. Ainda mais quando o veículo começa a dar sinais de que você está rodando na marcha e errada, e o nervosismo só aumenta.
Mas como identificar esses sinais e fazer a troca de maneira segura?
Bem, se você estiver na marcha errada (marcha alta para velocidade baixa, ou vice-versa) o carro vai apresentar dois tipos de sinais.
Sinal 1: carro fica “amarrado” e o motor berra: digamos que você rodando de 2ª marcha e acelerou até 45 ou 50 km/h. Se você continuar acelerando e demorar para passar a 3ª, o motor vai pedir marcha.
Este princípio vale para todas as outras marchas, já que nunca devemos exigir mais velocidade do carro além daquela faixa de velocidade ideal para cada marcha. Já explicada neste artigo.
Sinal 2: o carro fica devagar, pesado e parece que vai parar: vamos supor que você já conseguiu chegar à velocidade de 4ª marcha (entre 60 e 75km/h), mas por algum motivo você deixou de acelerar e de manter o carro nessa velocidade. O carro da frente estava andando devagar ou, porque tem que fazer uma conversão entrando numa rua, por exemplo.
Primeiramente, você irá aliviar o pé do acelerador para diminuir a velocidade. Como você está na 4ª marcha e a velocidade não irá corresponder com ela, o carro vai dar socos e, se estiver em uma rua com subida ou desnível, o carro pode até morrer.
Portanto, nessa situação, você deve pisar na embreagem e passar para a marcha correspondente a sua velocidade. Usando o exemplo anterior, você estava de 4ª marcha entre 50 e 65km/h e reduziu a velocidade para uns 30km/h, você passa para a 2ª marcha direto.
Pular marcha, pode?
Pular uma ou mais marchas serve somente para reduzir, nunca para aumentar marchas e vamos explicar o porquê.
Como mencionado anteriormente, a função das marchas é liberar o motor para ter mais giros, fazer o carro rodar com velocidade e mandar esse “aviso” para as rodas. No entanto, dentro do motor existe uma peça chamada correia dentada e cada vez que o motor aumenta de giro com as marchas mais altas ou abaixa o giro com as marchas mais baixas, a correia dentada vai acompanhando esse aumento ou essa diminuição.
Para que a correia dentada trabalhe bem e dure mais tempo é preciso passar as marchas de acordo com suas faixas de velocidade ideais. Caso passemos a marcha errada ou perdemos a sincronia entre os pedais de embreagem e acelerador, a correia pode estragar com o tranco ocasionado.
Por esse motivo é que nunca se deve aumentar as marchas pulando uma, tem que ser uma por vez. Já para reduzir marchas pode sim pular mais de uma, desde que a velocidade baixe para dentro da faixa recomendada.
Portanto, se você estiver rodando na 5ª marcha a 90km/h, e perceber que terá que diminuir a velocidade, o ideal é tirar o pé do acelerador para usar o freio motor, ou seja, deixar o carro perder a velocidade sozinho. Se precisar frear, use a embreagem e o freio para diminuir a velocidade e engate a marcha correspondente.
Errei na troca de marcha
Quem é que já não teve a intenção de passar a 1ª marcha e entrou a 3ª? Ou passou a 2ª marcha e entrou a 4ª?
É muito comum isso ocorrer na fase de autoescola ou mesmo já habilitado. Com a falta de tranquilidade e calma, tendemos a mudar a marcha rápido demais, sem prestar muito atenção e é aí que acontece o erro.
Na verdade, as marchas vão entrar certinho desde que não façamos muita força. Basta dar um toque suave na alavanca de marchas fazendo ela passar pelo ponto morto ou neutro e apenas indicar onde a marcha tem que entrar.
O segredo para não entrar a marcha errada é passá-las movendo a alavanca com suavidade. Se a alavanca arranhar na passagem da marcha, verifique se você pisou até o fundo da embreagem.
Agora que você já sabe a faixa de velocidade ideal para cada tipo de marcha, e como fazer a troca de maneira correta, é só praticar!
Gostou desse artigo? Então, fique de olho em nosso blog para receber muito mais informação sobre o mundo automotivo.
Fonte: Livro Aprendendo a Dirigir, Márcia Pontes.
Referência: CfcCelso